Cinco da tarde e sudoeste | Marina Colasanti


Logo virá a tempestade

trazendo a noite.

Mas por enquanto tudo

é doce mucosa

e o cinza e rosa

se tocam no horizonte.

Sábias como aves de rocha

as traineiras se aninham

nos recortes da costa.

Uma primeira luz se acende

junto à ilha.

E o grilo ainda canta

quando ao longe

o trovão escancara a garganta.


Colasanti, Marina. Gargantas abertas. Rio de Janeiro: Rocco,  1998. [p. 46] 


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