Quinta elegia urbana | Gilberto Nable
O ascensorista
Singular prisioneiro,
do móvel cubículo,
dos mágicos botões,
do térreo ao terraço,
em números e tédio,
mais esmorece
entre a comprimida,
neurótica fauna
dos edifícios.
O elevador
A paisagem do elevador é pobre:
mudos ângulos,
duras superfícies.
No poço escuro,
com alguns rangidos,
a pesada aranha
tece fios de aço.
A fauna
Cabisbaixas,
as pessoas procuram
os sapatos,
olham para os pés
suspensos no abismo.
Suspensos no vazio
onde alma e medo
se equilibram.
NABLE, Gilberto. Percurso da ausência. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006. [p. 45-46]
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